Você precisa viajar para evoluir no Zouk Brasileiro?
Escrito por Larissa Ferreira
Você abre o Instagram e alguém está em um festival em Amsterdã. No fim de semana seguinte, outra pessoa amiga está dançando em Praga. Pouco depois, alguém posta uma foto do aeroporto a caminho de mais um evento.
Depois de passar algum tempo na comunidade de Zouk Brasileiro, você pode começar a ter uma impressão curiosa: todo mundo está sempre viajando.
E, com isso, vem uma pergunta: eu também preciso viajar para evoluir?
Viajar para dançar pode ser uma experiência incrível. Você conhece novos professores, dança com pessoas diferentes, descobre outras comunidades e passa horas imerso em algo que ama.
Mas há uma diferença entre dizer que viajar pode contribuir para o seu desenvolvimento e acreditar que você precisa viajar para se tornar um bom dançarino.
Por que parece que todo dançarino de Zouk Brasileiro está viajando?
O Zouk Brasileiro se tornou uma comunidade internacional. Festivais, weekenders, retiros, workshops e sociais acontecem em diferentes partes do mundo, e é comum que dançarinos aproveitem esses eventos para descobrir novas cidades e comunidades.
Naturalmente, essas experiências também aparecem muito nas redes sociais.
Uma viagem para um festival rende fotos com amigos, vídeos de dança, demos, workshops e, claro, a inevitável foto no aeroporto. Sua aula regular de terça-feira à noite provavelmente não gera a mesma quantidade de Stories.
Então, quando você segue muitas pessoas da comunidade, pode começar a parecer que viajar o tempo todo é a norma.
As redes sociais têm um jeito de fazer momentos excepcionais parecerem parte do dia a dia. É pela mesma razão que às vezes pode parecer que todo mundo online dança melhor do que você: tendemos a ver as viagens para festivais, as danças bonitas e os momentos empolgantes, não tudo o que acontece entre eles.
Mas o que vemos nas redes sociais não representa necessariamente a realidade do dia a dia da maioria dos dançarinos.
Algumas pessoas viajam várias vezes por ano. Outras escolhem um ou dois eventos. Algumas raramente saem da própria cidade para dançar.
Todas continuam fazendo parte da mesma comunidade.
Viajar realmente faz de você um dançarino melhor?
Com certeza pode ajudar.
Participar de eventos fora da sua comunidade habitual expõe você a professores, parceiros e formas de dançar que podem ser diferentes daquelas a que está acostumado.
Em um festival ou weekender, por exemplo, você pode fazer vários workshops em poucos dias e depois praticar o que aprendeu nos sociais.
Você também tem a chance de observar outros dançarinos, conhecer diferentes abordagens de ensino e sair dos padrões que seu corpo talvez já conheça.
Dançar com pessoas que você não conhece também pode ser um exercício valioso. Você precisa se adaptar a conexões, estilos e interpretações diferentes, em vez de depender da familiaridade que construiu com seus parceiros habituais.
Tudo isso pode contribuir para o seu desenvolvimento.
Mas comprar uma passagem de avião não torna ninguém automaticamente um dançarino melhor.
O que você faz com essas experiências ainda importa muito mais do que quantos lugares você visita.
E se eu não puder pagar para viajar para eventos de Zouk Brasileiro?
Esta é uma parte da conversa que talvez não apareça tanto nas fotos de festival: viajar custa dinheiro.
Passagens, hospedagem, ingressos, alimentação e transporte podem rapidamente transformar um fim de semana de dança em uma despesa significativa. Quando o evento é em outro país, taxas de câmbio, documentos de viagem e vistos também podem entrar na conta.
E o dinheiro não é a única barreira.
Nem todo mundo consegue tirar alguns dias de folga do trabalho para viajar. Algumas pessoas estudam, têm filhos ou outras responsabilidades. Para dançarinos que vivem longe dos principais polos de Zouk Brasileiro, até chegar ao aeroporto ou à cidade mais próxima com eventos pode exigir planejamento extra.
Isso significa que nem todo dançarino tem o mesmo acesso ao lado internacional da comunidade.
E tudo bem reconhecer isso.
A quantidade de festivais que você pode frequentar não determina o quanto você pertence à comunidade nem o quanto leva sua dança a sério.
É possível evoluir sem ir a festivais internacionais?
Com certeza.
Uma rotina consistente de aulas e prática continua sendo uma parte importante do aprendizado. Sociais, práticas e workshops locais também dão a você oportunidades de dançar com pessoas diferentes e colocar em prática o que está aprendendo.
O contato regular com um professor também pode ajudar você a receber feedback, trabalhar desafios específicos e acompanhar seu progresso ao longo do tempo.
E viajar com frequência não substitui a consistência.
Você pode participar de vários festivais ao longo do ano e ainda precisar voltar à aula na semana seguinte para trabalhar aquele fundamento que continua difícil. Da mesma forma, alguém que fica em sua comunidade local, mas estuda e pratica com consistência, pode evoluir muito sem acrescentar um único carimbo novo ao passaporte.
Não existe uma quantidade mínima de quilômetros que você precise viajar para se tornar um dançarino melhor.
Às vezes, sua próxima experiência de Zouk Brasileiro está mais perto do que você imagina
Quando assistimos a vídeos de grandes festivais internacionais, é fácil começar a procurar experiências novas cada vez mais longe.
Mas também vale a pena olhar ao redor.
Pode haver um workshop na cidade ao lado, um novo social na sua região ou um weekender de que você possa participar sem precisar planejar uma viagem internacional.
Apoiar esses eventos também ajuda a fortalecer as comunidades locais. Quanto mais pessoas frequentam aulas, sociais e workshops próximos, mais espaço há para novas iniciativas crescerem.
E descobrir outra comunidade não precisa significar cruzar um oceano. Às vezes, viajar apenas algumas horas já basta para conhecer professores e parceiros com quem você nunca dançou antes.
E se você adora viajar para dançar Zouk Brasileiro?
Continue viajando.
Para muitas pessoas, essa é uma das partes mais especiais de fazer parte de uma comunidade internacional.
O Zouk Brasileiro pode ser o motivo para você descobrir uma cidade que nunca esteve na sua lista de viagens, reencontrar amigos que vivem do outro lado do mundo ou entrar em uma pista de dança onde não conhece ninguém e ainda assim sentir que compartilha uma linguagem em comum.
Não há motivo para minimizar essas experiências.
A questão não é que você não deva viajar para dançar. É simplesmente que você não precisa viajar o tempo todo para provar que pertence à comunidade ou que está evoluindo.
Se isso combina com seu estilo de vida, seu orçamento e faz você feliz, ótimo.
Se não combina, sua experiência com o Zouk Brasileiro não é menos válida por isso.
Sua jornada no Zouk Brasileiro não precisa ser igual à de ninguém
Alguns dançarinos vão colecionar pulseiras de festivais e carimbos no passaporte. Outros vão construir a maior parte da sua jornada dentro da comunidade local. E muitos provavelmente farão um pouco dos dois.
Não existe uma única maneira certa de vivenciar o Zouk Brasileiro.
Viajar pode ampliar sua experiência, apresentar novas perspectivas e criar memórias incríveis. Mas o desenvolvimento também acontece na sua aula semanal, em uma prática depois do trabalho, no social a que você vai todo mês e com as pessoas com quem continua dançando ao longo dos anos.
Então, da próxima vez que o Instagram fizer parecer que todo mundo está em um festival do outro lado do mundo, lembre-se: você está vendo uma parte da experiência de algumas pessoas, não uma regra que toda a comunidade precisa seguir.
E, sempre que quiser descobrir o que está acontecendo perto de você ou planejar sua próxima viagem para dançar, a Duo pode ajudar você a encontrar aulas, sociais, workshops, festivais e comunidades de Zouk Brasileiro em todo o mundo.
