Por que parece que todo mundo dança melhor nas redes sociais?
Escrito por Larissa Ferreira
Você abre o Instagram e vê um casal dançando com movimentos de cabeça impecáveis. Em seguida, vem um cambré perfeito. Depois, uma sequência que parece quase impossível de executar.
Então você vai ao seu social local e se pega pensando: "Será que estou aprendendo devagar demais?"
Se você já se sentiu assim, com certeza não está sozinho.
E a resposta curta é: provavelmente não.
As redes sociais mostram apenas um lado do Zouk Brasileiro, geralmente os momentos mais impressionantes visualmente, emocionantes e compartilháveis.
Isso não significa que elas reflitam a experiência completa de ser dançarino.
O Instagram mostra momentos, não a jornada
É difícil imaginar alguém postando um vídeo em que a dança não saiu como planejado.
A maior parte do que vai parar no Instagram é exatamente o oposto: a música que encaixou perfeitamente, uma conexão incrível com o par, um evento especial ou simplesmente uma dança que vale a pena lembrar.
Isso vale para quase todo mundo, e faz sentido. As redes sociais existem para compartilhar os momentos que nos deixam mais felizes.
O problema é que, quando passamos muito tempo consumindo esse tipo de conteúdo, é fácil esquecer que ele representa apenas uma pequena parte da realidade.
Depois de assistir a dezenas de vídeos incríveis em poucos minutos, você pode começar a acreditar que é assim que toda a comunidade dança.
Na realidade, quem frequenta aulas e sociais sabe que a diversidade é muito maior. Os dançarinos têm histórias diferentes, estilos diferentes e estão em momentos distintos da sua jornada.
Um vídeo de 30 segundos pode levar horas para ser feito
Se você nunca gravou um vídeo dançando, é fácil supor que tudo aconteceu exatamente como aparece na tela.
Mas muitas vezes há muito mais por trás de um único Reel.
Talvez tenha sido a terceira tomada. Ou a décima.
Às vezes, um casal decide gravar de novo porque a música pareceu melhor na segunda vez. Em outras, alguém passou na frente da câmera ou um movimento não saiu como tinham imaginado.
Nada disso diminui a qualidade do vídeo.
Se alguma coisa, isso apenas nos lembra que estamos vendo o resultado final, não tudo o que aconteceu antes dele.
O algoritmo escolhe o que você vê
As plataformas de redes sociais naturalmente promovem conteúdos que prendem a atenção das pessoas rapidamente. No Zouk Brasileiro, isso geralmente significa movimentos grandes, movimentos de cabeça dramáticos, cambrés e momentos que fazem as pessoas parar de rolar a tela.
Não há nada de errado nisso. Esses vídeos são lindos de assistir e muitas vezes inspiram outras pessoas a conhecer a dança.
Mas há também um efeito colateral: é fácil começar a acreditar que é assim que a dança social acontece o tempo todo.
Quem frequenta sociais sabe que não é bem assim. Algumas das melhores danças da noite provavelmente nunca viralizariam.
Às vezes, o que torna uma dança inesquecível não é um movimento espetacular. É a conexão entre duas pessoas, a musicalidade ou a forma como interpretam a música juntos.
E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas do Zouk Brasileiro: a melhor dança nem sempre é a que renderia o melhor Reel.
Como é o progresso de verdade?
Quando começamos a dançar, é natural medir nosso progresso pelos movimentos que aprendemos. Afinal, são eles que mais se destacam nos vídeos.
Mas, com o tempo, muitos dançarinos percebem que evoluir vai muito além disso.
Talvez você agora consiga improvisar durante uma música inteira sem pensar no próximo passo. Talvez se sinta mais confiante para chamar alguém para dançar em um social.
Ou talvez tenha se tornado melhor em se adaptar a diferentes pares, ouvir a música ou simplesmente aproveitar um pouco mais cada dança.
Esses tipos de evolução nem sempre aparecem em um vídeo e dificilmente viralizam. Ainda assim, muitas vezes são as mudanças que mais importam no longo prazo.
É normal se comparar?
É difícil encontrar alguém que nunca tenha feito isso. Quase todo dançarino já se comparou a outra pessoa em algum momento.
Você assiste a um vídeo incrível e se lembra da sua última dança.
"Eu nunca vou conseguir fazer isso."
Essa comparação acontece quase automaticamente. O problema é que ela raramente é justa.
Você está comparando meses, ou até anos, da sua própria experiência com alguns segundos cuidadosamente selecionados da experiência de outra pessoa.
Ninguém posta todas as tentativas. Nem a aula em que parecia que nada funcionava. Nem a música em que a conexão simplesmente não aconteceu.
Então, da próxima vez que se pegar se comparando, tente lembrar que você está vendo apenas uma pequena parte da história de outra pessoa.
Então, você deveria parar de assistir a vídeos de dança?
Claro que não.
Os vídeos nos inspiram. Eles nos apresentam a novos artistas, mostram eventos incríveis e muitas vezes nos fazem querer experimentar um movimento novo.
Só lembre que nenhum vídeo conta a história inteira.
O crescimento real acontece nas aulas, por meio dos erros, nos sociais, nas conversas depois de uma dança e nas pessoas que você conhece pelo caminho.
Recentemente, compartilhamos nas redes sociais uma frase que resume perfeitamente essa ideia:
"A dança não pede que você seja perfeito. Ela pede que você esteja presente."
No fim das contas, estar presente importa muito mais do que parecer perfeito por 30 segundos.
Pronto para transformar inspiração em experiência?
Assistir a vídeos pode despertar sua curiosidade, mas a verdadeira magia acontece na pista de dança.
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